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Tópico

Estarão os site noticiosos em declínio em detrimento das noticias nas redes sociais?

26 de maio de 2026 · PT

Painel

Rita Sousa

Beatriz Costa

Carlos Teixeira

Diana Fernandes

Ricardo Nunes

Transcrição

Rita Sousa

Boa noite a todos. Hoje debatemos se os sites noticiosos estão em declínio em detrimento das notícias nas redes sociais, uma questão que redefine quem financia, produz e distribui a informação. Convido Beatriz Costa, especialista em mídia digital; Carlos Teixeira, economista de mídia; Diana Fernandes, especialista em alfabetização midiática; e Ricardo Nunes, cientista de dados de mídia. Vamos percorrer cinco subtemas: Declínio de jornais impressos; Redes sociais como fonte de notícia; Modelos econômicos dos veículos noticiosos; Alfabetização midiática e desinformação; Híbrido entre plataformas digitais e imprensa. Vamos começar pelo Declínio de jornais impressos. Beatriz Costa, por favor, inicie.

Rita Sousa

Beatriz Costa, a tua vez.

Beatriz Costa

O declínio dos jornais impressos é uma transição de formato, não apenas de interesse. As redes e plataformas digitais roubaram o tráfego, tornando indispensáveis assinaturas, paywalls e formatos multimídia para sustentar jornalismo de qualidade. Sem esse modelo, o impresso vira memória institucional e perde a relevância social.

Rita Sousa

Vai, Carlos Teixeira.

Carlos Teixeira

Como economista de mídia, eu percebo o declínio dos jornais impressos como resultado da transferência de valor para plataformas digitais. Eu observo que a publicidade em papel está encolhendo e os custos fixos de impressão/entrega tornam-se insustentáveis sem modelos de assinatura. Eu defendo que jornais acelerem paywalls, diversifiquem receitas e invistam em jornalismo de valor.

Rita Sousa

Diana Fernandes?

Diana Fernandes

Sou Diana Fernandes, e leitura é de que o declínio dos jornais impressos não é apenas queda de formato, mas sinal de metamorfose na alfabetização midiática. Enquanto o papel falha em reter leitores jovens, a pobreza de alfabetização sobre curadoria e verificação transforma o digital em terreno fértil para desinformação: precisamos ensinar como consumir notícias com crítica, independentemente da plataforma.

Rita Sousa

Ricardo Nunes, o que dizes?

Ricardo Nunes

Como cientista de dados, observo que o declínio dos jornais impressos é pacote de sinais: queda de tiragem, receita publicitária migrando para plataformas digitais e mudanças no comportamento de leitura. O que parece declínio é apenas uma transição de formato; a notícia persiste, mas sob novas condições de distribuição, métricas e modelos de monetização.

Rita Sousa

Ricardo Nunes, dados globais indicam queda no acesso direto a jornais impressos e aos sites jornalísticos, com as redes sociais ganhando participação na distribuição de notícias. Como você mede esse deslocamento da audiência e avalia o papel dos filtros algorítmicos na curadoria de notícias diante do declínio dos impressos?

Rita Sousa

Ricardo Nunes, o que dizes?

Ricardo Nunes

Beatriz Costa, a transição é de formato, mas a sobrevivência de jornais regionais mostra que o valor está na curadoria e na entrega segmentada, não no papel. Novo elemento: quando jornais combinam paywalls com newsletters personalizadas e uso de dados para recomendar matérias, a retenção de assinantes tende a aumentar, sugerindo um caminho viável para financiar jornalismo de qualidade na era das redes.

Rita Sousa

Diana Fernandes, uma espectadora pergunta se deveria existir um curso de literacia em redes sociais obrigatório antes de abrir uma conta, tal como acontece com contas de investimento. Quais seriam os critérios e os impactos desse requisito?

Diana Fernandes

Sim, uma literacia específica para redes sociais deveria acompanhar o acesso, porque as plataformas moldam o consumo de notícias e a desinformação prospera sem leitura crítica. Não é apenas um filtro; é um kit de ferramentas: como verificar fontes, reconhecer manipulação, checar dados, entender algoritmos e riscos de privacidade. Assim como abrir uma conta de investimento requer saber dos riscos, usar redes com responsabilidade requer aprender a interpretar conteúdo. Quando educadas para interpretar conteúdo, as redes podem informar de forma responsável, tornando os utilizadores agentes ativos na paisagem mediática.

Rita Sousa

O tempo deste painel acabou. Obrigado a Beatriz Costa, Carlos Teixeira, Diana Fernandes e Ricardo Nunes. Beatriz vê o declínio do impresso como transição de formato, com assinaturas e formatos multimídia. Carlos aponta a transferência de valor para plataformas digitais e a necessidade de paywalls. Diana defende alfabetização midiática para enfrentar desinformação, com redes que informam bem quando bem educadas. Ricardo afirma que desinformação e curadoria algorítmica moldam o que vemos, mas a notícia não some. A tensão central é entre sustentabilidade dos jornais tradicionais e domínio das redes como canal de distribuição, exigindo modelos híbridos. Foi um debate produtivo. Boa noite a todos. Este painel de debates está aberto a patrocínios — se estiveres interessado, contacta-nos através do formulário na página principal.